segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Duas paixões: a poesia e o futebol. Cada qual com sua forma: a métrica e a tática. Um único sentimento: indescritível.

O sertanejo também ama
                     por Danilo Ribeiro

Por quem bate o coração
do sertanejo valente
que semeia a terra quente
fazendo sua plantação
de milho, arroz e feijão?
E o coração do que mora
cidades sertão à fora,
por quem pode ele bater,
se alegrar ou sofrer,
sentir no peito uma espora?

Desde novo, o sertanejo
alimenta um amor distante,
mesmo assim firme e constante,
que lhe provoca um desejo
de celebrar em cortejo
quando o amor lhe dá alegria;
mas que igualmente agonia
o amor à distância traz
porque é duro amar demais
só vendo fotografia.

Quem terá então coragem
de proclamar com arrogância
que por causa da distância
esse amor pela imagem
provoca menos vertigem?
Quem, insano, desconhece
o amor que tanto mais cresce
quanto mais difícil for
ser, de longe, torcedor
de um time lá do sudeste?

Como domingo não pode
ver seu time no estádio,
escuta, chiando, o rádio,
berrando tal qual um bode.
Do sertanejo é a ode:
amar verdadeiramente
seu time, que mal pressente
que provoca um turbilhão
que não tem explicação.
Quem amar futebol sente!

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