terça-feira, 24 de maio de 2016

poema-reflexão

CARACA
     por Danilo Ribeiro

Não-palavrão de merda
Enche o saco
Diga caralho
Porra
Ou não diga porra nenhuma
Caralho!

domingo, 27 de março de 2016

Um novo poema pascal

penitente jesus de nazaré
ano sim outro sim – coitado
abrigado a semimorrer
(penitência – será maior? – dos pobres vermes
que súbito se lhes furtam
ano sim outro sim
as entranhas do desjejum)

vê nazareno!
nadando com o metapeixe
Danilo Ribeiro lhe aguarda
no curral do boitempo

sexta-feira, 14 de novembro de 2014


sangue jorrado
chora a menina
coração rasgado
rasgada narina
cristalino salgado
hidrocloreto de cocaína

a dor distrai
makes the coward brave
sem lamentos nem ais
sells Parke Davis
she don't lie she don't lie
cocaine


na descida
em vaivém
dilapida
cada vintém
cheira a vida
na última nota de cem

terça-feira, 11 de novembro de 2014

return-beginning

dois mil e cinco
era paulo leminski
pela primeira vez
era ainda, menos, porém
dois mil e seis
dois mil e onze
era muito
pudera! ano primo
depois morri morreu

leminski e eu

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sempre gostei de brincar com palavras em estruturas de versos, seus sons, sua disposição formal.. Nos últimos seis meses, no entanto, praticamente não escrevi. Esse desábito impões um tributo, e escrever passa a pesar mais. Porém, desde sexta passada, estava com a trinca de versos, que inicia este pequeno poema, na cabeça. Imaginei um haikai, mas findei alongando um pouquinho o poema. Gostei do resultado. Findei evocando alguma esperança. Sempre tenho alguma esperança...

antimétrica da esperança 
- por Danilo Ribeiro

dois mil e treze maldito
dobra a última esquina de dezembro
e some no infinito
para desmemória do nem me lembro
leva teu recado cruento
a lição de que a morte é certa
para os confins do esquecimento
não deixes qualquer porta aberta
parte com teus dias e semanas
lembra de nunca mais aparecer
e leva em tua caravana
a dor que veio me adoecer

deixa o ano que aponta
que sobre tu avança
vir e tomar de conta
com migalhas de esperança
a lição de que a vida é certa
e que salvo engano
há perspectiva de descoberta

na chegada do novo ano

sexta-feira, 3 de maio de 2013

haja memória sensitiva...


Café é
     por Danilo Ribeiro

Há pessoas (que
tenho pena delas)
que nunca sentiram
(pena mesmo delas)
o cheiro-absoluto
no ocaso do dia
(como saber elas?).
É o café forte
de Elisian
(a Ferreira Pinho):
coa o café
- bate nas panelas.
O café é forte
de Elisian;
o cheiro é forte
sai pelas janelas.
(Pobre das pessoas
que não sabem elas):
o sorriso é forte
de Elisian
(a Ferreira Pinho)
ainda mais forte
que o café é.

terça-feira, 30 de abril de 2013

passou-se comigo...


RE DÉJÀ VU
           por Danilo Ribeiro

tenho a impressão
de que já tive a impressão
que tinha tido essa impressão

domingo, 31 de março de 2013


Poema pascal
         por Danilo Ribeiro

domingo de páscoa
mereço uma prece
uma missa
uma oração
porque de tanta preguiça
morri o dia inteiro
esparramado no colchão

e ao contrário de Jesus
rapaz de sorte
hoje não saio da cama-cruz
nem levanto da morte

só a segunda-feira
as contas pra pagar
o livro de ponto
me obrigarão
ao exercício milagroso
da ressurreição

quinta-feira, 28 de março de 2013

poema temporal


QUASE-EPIGRAMA DE QUINTA-FEIRA SANTA

a carne fez-se confusão verbal
amanhã Jesus morreu
mas não morreu no final


                          por Danilo Ribeiro

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Poema recitado por Martinho Olavo na comemoração dos 60 anos do meu tio Newton Francelino.

A RÔLA APÓS OS 60 ANOS - POESIA POPULA

Esta rôla antigamente
Vivia caçando briga
Furando pé de barriga
Doidinha pra fazer gente
Mas hoje tá diferente
No mais profundo abandono
Dormindo um eterno sono
Não quer mais saber de nada
Com a cabeça encostada
Na porta do cú do dono

Já fez muita estripulia
Firme que só um bambu
Mas parecia um tatu
Fuçava depois cuspia
Reinava na putaria
O "priquito" era seu trono
Trepava sem sentir sono
E sem precisar de escada
Mas hoje vive enfadada
Na porta do cú do dono


Nunca mais desvirginou
Uma mata vaginosa
Há muito tempo não goza
Noite de gala acabou
Vive cheia de pudor
Sonolenta e sem abono
Faz da celoura um quimono
E da cueca uma estufa
Vive hoje a cheirar bufa
Na porta do cú do dono.


*Autor: Oliveira Sá.