quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Manoel de Barros me guia: "no escritório de ser inútil/ passo horas descascando palavras."



Poema indelicado
              por Danilo Ribeiro 


Nega, tenho natureza de andar torto.
Unha de dedo mindinho cai sempre.
Chuto cantos.
Eu verbo derrubar.
Criaturinhas e coisinhas de deus, não se lhes ponha em minhas mãos.
Tenho hábito de feder palavra bonita.
Carinho, por exemplo, é palavra que malcheira minha poesia:

Cuida dos filhos com carinho
Besouro rola-bosta
Enchendo de merda o ninho

Mas se for corajosa, me dá o coração!
Afago com carinho com pé com mão.
Dou minha palavra de poeta, que é só essa que sei dar, Nega.



*Feito para Mariana Queiroz, depois de conversarmos longamente sobre as coisas desimportantes do mundo e de nós. Só essas coisas são verdadeiras.

20/01/2011

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