A palavra flor
por Danilo Ribeiro
por Danilo Ribeiro
deitar-se, papola, delírio
ouvir Jesus Cristo falando de preguiça
entrever o balanço dos campos de lírios
e um cravo branco
flores cheiram fins
falta uma flor em todos os jardins
dona flor, dona flor, dona flor
as flores são ingratas
colhidas morrem
sem mais nem menos
como se nunca houvesse Vênus
Rosa na roda,
rosa na máquina,
apenas rósea.
o cravo vermelho já morreu faz tempo
daquela primavera não restou semente
nem sequer cheirinho de alecrim
Magnólias, Hortências, Jasmins
fendem lábios, fecham pétalas
tem uma flor a menos nos jardins
Minha flor, minha flor, minha flor
as flores são ingratas
colhidas morrem
sem mais nem menos
como se nunca houvesse Vênus
não é sentimento a palavra amor
serve somente e tão somente
a rimar com flor
e a palavra amor procura impotente
em todos os jardins uma flor ausente
flor, flor, flor
a palavra flor é tão ingrata
não vai ser colhida no campo
não vai ser colhida na mata
em todos os jardins é a flor de menos
não tem serventia à palavra Vênus
a palavra flor, minha flor, dona flor
serve unicamente à declaração de amor
*--*--*
Nenhum comentário:
Postar um comentário