sábado, 13 de agosto de 2011

Os dois poemas abaixo foram escritos em meio a lembranças da pessoa que mais decisivamente marcou a minha vida. E ele, meu pai, sequer leu esses versos, e nem sei se um dia lerá...

Fruto
        por Danilo Ribeiro

Paixão que veio do amor
Do amor inocente
Paixão que me criou
Me cria me criará
Paixão que vem de pathos
(vem de pater)
Meu (anti)herói
Meu eu-relógio-adiantado
Tão (anti)eu
Meu paixão

--*--

Enumeração de mediocridades de domingo
         por Danilo Ribeiro 



1. Poesia.
Para que poesia, meu poeta?
Para que encher papel de palavras malversadas
Que pesariam toneladas nas costas de um catador?

2. Futebol.
Meu poeta,
Se, de maneira geral, as paixões são idiotas,
O que dizer dessa paixão pelo Botafogo?
 
3. Lembrança.
Ah!, que tolice, a infância é imaterializável.
Duvido você ser capaz, meu poeta,
De lembrar, em sequência, de míseros dez minutos
De um domingo daquele tempo...

4. Lágrima.
Essa é estúpida, é risível,
É trementamente risível.
Qual motivo dessa lágrima, meu poeta,
Depois de um grito seu
Um berro FOOOGOOO!
Como aqueles que tanto seu pai deu?
 
--*--

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