quarta-feira, 30 de março de 2011

esquisito gráfico no embalo da rede...























                                                          (por Danilo Ribeiro )


OBS: A idéia inicial era fazer um haikai, mas ai 
findei fazendo esse poema de configuração
gráfica bem esquisita...
--*--*--

sábado, 26 de março de 2011

O sentimento de existir: " você se olhar no espelho, saber que é humano, ridículo, limitado e só usa 10% de sua cabeça animal".

A vida
         por Danilo Ribeiro

mediocrizo bem quase tudo
menos o que já insignifica por natureza
ai depois entristeço com minhas besteirinhas sem valor
chego fácil a lugar nenhum sem nem ir
arremedo de poeta
remendo de ser
passei da idade já

--*--*--


quarta-feira, 23 de março de 2011

A doença da poesia.

Poema hospitalizado
                 por Danilo Ribeiro

“Pra que chorar, se o sol já vai raiar, se o dia vai amanhecer 
pra que sofrer, se a lua vai nascer, é só o sol se por”
Vinicius de Moraes
É a vida das palavras
mesmo muito intrigante,
os poemas em suas lavras
a cultivar incessantes
lavouras de paradoxos,
canteiros de transgressão,
veem colher-se ortodoxos
textos de alta correção.
Se o que dizem os dicionários
as palavras obedecem,
a colheita é perdida,
os poemas adoecem:
pneumonias, hepatites,
obstruções dos colédocos
somada a pancreatites,
crises agudas de pânico,
ressacas imperiais,
infestação de bactérias
dentro das vias aéreas,
hipomania, tristeza;
são variados diagnósticos
constituindo a beleza
trágica de ser poema
cujo único destino
das palavras, dos fonemas,
é sofrer internação
sem perspectiva de alta
nos versos que acabarão
quando de rima houver falta.
Talvez alguma gramática,
ou um ensaio sobre clínica,
um compêndio de linguística,
uma ediçãozinha cínica,
uma publicação médica,
ou um volume de estética, 

sejam páginas em que sonha
poder estar algum dia
a poesia medonha
do poema em agonia.
Há até certa revolta
ao poema, que robusto,
largo, eloquente, prolixo
– formatado a muito custo
pra ter no verso esse som fixo
– ao constatar-se um inútil,
que, não tendo o que fazer,
perde seu tempo no fútil
no excrescente prazer:
sons e palavras construir
para algum idiota ler
para algum babaca ouvir.
São tristes mesmo os poemas,
mas há possibilidade,
no horizonte de suas páginas,
de encontrar felicidade
caso a loucura os possua,
e sobre os versos doentes
pintem um céu, um sol, uma lua
com os tons mais reluzentes.


*Escrito na madrugada de 24/11/2010, internado 
no hospital Memorial São Lucas, Alagoas.

--*--*--

segunda-feira, 21 de março de 2011

Haikai 6. (Depois de algumas semanas o blog volta a ter poemas postados com frequência.)

poema de cem versos
            invejando a vertigem
do poema sem versos


                   (por Danilo Ribeiro)

--*--*--

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nota de suicídio: "De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar". Thiago era o filho de dois anos de idade de Torquato Neto.

Cogito
    por Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou

agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou

presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou

vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.


--*--*--

terça-feira, 1 de março de 2011

Orfeu, rei da Trácia; ou filho das Alagoas. Inventar-se. Seguem mais versos:

Invenção de danilo
            por Danilo Ribeiro

descontinuo de mim desde o
princípio
amontoo sonhos impraticados
sou robusto de repertório soberbo e
inútil
nem sei de pecados nem sei de mim mesmo
escutai-me voz inata 
lamento 
derrota exponencialmente
ao infinito

--*--*--