quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sempre gostei de brincar com palavras em estruturas de versos, seus sons, sua disposição formal.. Nos últimos seis meses, no entanto, praticamente não escrevi. Esse desábito impões um tributo, e escrever passa a pesar mais. Porém, desde sexta passada, estava com a trinca de versos, que inicia este pequeno poema, na cabeça. Imaginei um haikai, mas findei alongando um pouquinho o poema. Gostei do resultado. Findei evocando alguma esperança. Sempre tenho alguma esperança...

antimétrica da esperança 
- por Danilo Ribeiro

dois mil e treze maldito
dobra a última esquina de dezembro
e some no infinito
para desmemória do nem me lembro
leva teu recado cruento
a lição de que a morte é certa
para os confins do esquecimento
não deixes qualquer porta aberta
parte com teus dias e semanas
lembra de nunca mais aparecer
e leva em tua caravana
a dor que veio me adoecer

deixa o ano que aponta
que sobre tu avança
vir e tomar de conta
com migalhas de esperança
a lição de que a vida é certa
e que salvo engano
há perspectiva de descoberta

na chegada do novo ano