terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mais po(rno)ema. Braulio Tavares é o poeta, e os versos são os seguintes:

Poema da buceta cabeluda

A buceta da minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.

A buceta da minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.

A buceta da minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.


--*--


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Voltando a postar: segue um trecho de poema de cabaré do grande Noel Rosa!

O caralho é o pai de todos os mortais
Consolador de pombas e bocetas 
Alma dos cus e coração das gretas... 

(...)

Foi com quem sua mãe sempre se viu 
Ele é meu pai, seu pai, pai do soneto 
Pai da puta que o pariu! 


*Noel Rosa (1926)
** Trecho recitado no filme "Noel: poeta da vila"