domingo, 31 de julho de 2011

31 de julho, dia mundial do orgasmo, e dia em que nasci, há vinte e poucos anos...


Num monumento ao orgasmo
          por Danilo Ribeiro


1.

Eu quero ouvir grito e brado
ouvir num berro rasgado
só sou feliz em pecado
fazendo a evocação
ao tântrico monumento
a Safo, a Sade, alimento
de Hilst o aviamento
cantando em oito a quadrão.

2.

O reizinho brocha fez publicar
no diário oficial do império
uma nova regulamentação.
Proibiram-se peremptoriamente,
ao comum do povo e a toda a nobreza,
as investidas com fins à gozada.
Decretou-se subversiva a punheta.
Vedaram-se lambidas e dedadas.
Os paus, diz a regra, têm que estar moles.
Pras bocetas sequidão absoluta.
Determinou-se contagem geral
das pregas dos cus de todos da corte.
Dura lex, sed lex, disse o rei.
Uns radicais, como já esperado
não se submeteram a tal decreto.
Dura lex no cu do Rei, disseram.

(Moral da história)
Claramente: o mais prático dos sois,
o sol amplificado da gozada!

3.

A viola toca Vênus
das Peles, e os seus somenos
formatos tão escalenos;
importa a devassidão.
E se eu não souber cantar?
Se minha rima falhar?
A métrica desandar
de quatro ou oito a quadrão?

Mando Pinto pra Monteiro
deixo de ser violeiro
não embolo meu pandeiro
largo o repente de mão
abandono a cantoria
Sacher-Masoch alforria
escravos da putaria
em oito pés a quadrão!

4.

Convergem: a aparência e os efeitos.
Gosto úmido de sexo na língua,
cuja ausência reduz o corpo à míngua,
é o gosto estético de chupar peitos,
tal o espasmo nos ares rarefeitos
do orgasmo que ao corpo arrebatado
causa completa dormência na mão
descompassa súbito o coração
numa foda em martelo agalopado.

5.

Formas variadas e sutilezas;
posições diversas e experimentos;
igualmente diversos os movimentos;
transcendem de ser-em-si pra belezas;
tornam além-ato e vastas grandezas;
sublimam gigantemente o gozar;
se a rima do estribilho for amor;
se o coração palpitar de tremor;
deitado com ela na beira do mar!

É na beira do mar!
É na beira do mar!


--*--*--

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Morro normalmente todos os dias um pouco. Hoje morri mais. Estamira me mostrou que as pessoas especialmente brilhantes, os loucos, também se fodem no fim. “Tudo o que é imaginário tem, existe, é." (Estamira)

O solático
por Danilo Ribeiro

Chamam-no lunático
 
Persegue o sol
Todos os dias desde logo cedo
Persegue-o com a vista
E grita
Pede ao sol que mude
Que nasça no poente
Que nem amanheça
Que nem se ponha
 
O sol põe-se
Morre incontinente no oeste
Todos os dias
Renasce no nascente
 
Não perde a esperança
Pede ao sol que mude

--*--

sexta-feira, 8 de julho de 2011

'A memória é uma ilha de edição...". disse o expansivo baiano, Waly Salomão. Ah poesia, o que querem de você???


Memory
   por Danilo Ribeiro

Lembrei da minha carne apodrecendo
E de um resto de bosta que sobrou nas minhas tripas
– Não a caguei!
Lembrei do quanto fedi sempre
Do quanto pesei sempre
– Minha cabeça, meu peito, minha gordura
Um eterno defunto de mais de 100 quilos

*--*--*

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Após uma conversa com uma pessoa que trata das coisas da minha cabeça, me enchi de questões sobre a vida...


O sentido da vida
         por Danilo Ribeiro

a gente nasce 
ai depois cresce
reproduz
reproduz
reproduz
eita como é bom reproduzir
reproduz
reproduz
reproduz
quero morrer reproduzindo

--*--